quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Rumos - 2012




São os rumos
Outrora os ramos
passa com uma suave temperança
entra



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Balcão de Vidro




Afora as exceções, enquanto repórteres lerem pouco, assessores escreverão as matérias. É tão bom quando o diálogo acontece, é produtivo e enriquecedor para o leitor ou espectador. Todavia, quando o repórter desconhece por completo o assunto e nem ao menos faz rápida pesquisa antes de dialogar com a fonte, o que se vê é o assessor dos dois lados do balcão. Isso limita a narrativa, envelopa as interpretações com a logomarca invisível das corporações. Isso não é valorização da marca, mas alienação do cliente, subestimação do consumidor. Ignora o potencial do profissional de comunicação e trinca o balcão onde passam e às vezes ficam informações.

No trato da informação, em assessoria ou redação, o diálogo deve persistir, e de forma transparente. Os procedimentos de contato com a fonte devem ser respeitados, mas não podem influenciar a informação, nem o relato do fato. O lobby não pode ser sinônimo de ficção e nem a apuração ter o significado atrelado a relações comerciais.

De pé, aconchegado em uma banca de jornais, expiro: Que os jornais tenham menos páginas, mas melhores páginas. Alguns veículos do interior acertaram a medida e consolidam leitores dia a dia. Eles persistem tendo a apuração como premissa de um bom registro. São parceiros, questionam o posicionamento corporativo e relata tanto o que pode melhorar, quanto o que está adequado, bom. Entretanto, enfrentam o dilema da rentabilidade e são forçados a reduzir custos operacionais e até mesmo reduzir pessoal. Falta uma estrutura comercial sólida, moderna e pertinente ao mercado. Faltam investidores?

Nesse ínterim, alguns assessores confundem as áreas e se colocam como mecenas com direito de manipulação. É preciso saber o lugar que ocupamos na cadeia da informação e desempenhar esse papel com maestria, e não hipocrisia. Pautas em mãos; é fundamental diagnosticar o que quer o público e o que precisa.

Grandes veículos atrofiam-se. As redações estão sucateadas e não há sindicato que contribua em prol de uma solução para os jornalistas, que atenda também aos patrões. Todavia, diante de um belo texto vem a esperança do removo, da melhora. O hábito de ir às bancas ainda é válido, precisamos aprender a garimpar; a peneira está nos olhos.

Publicado também no Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed718_balcao_de_vidro

 
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sociedade Infográfica



“Considerando todas as manifestações humanas, o silêncio continua sendo a que, de maneira muito pura, melhor exprime a estrutura densa e compacta, sem ruído nem palavras, de nossa sabedoria” (Ézio F. Bazzo)



Um costume antigo visto por professores como desvio e considerado por estudantes como estratégia rasa de sucesso, tem sido verificado no padrão atual de consumo de informação. Embora o índice de leitura tenha aumentado na última década (média de 1,8 livro/ano para 4,7) e a venda de livros aparentemente tenha mantido crescimento, ainda é pouco. No banco da praça, dia nublado de brisa agradável, o tablet descarregado torna o livro uma opção, mas “tem poucas figuras. Palavras são cansativas”. Calçadas violentadas com cartazes, cavaletes, buracos e veículos possibilitam, a seu modo, que os pés alcancem a banca de jornal e revistas. “Esse jornal deve ser bom, tem mais fotão.” Os ouvidos não têm pálpebras; estão abertos o tempo todo. Se ao menos pudessem verter lágrima.

O cheiro do papel, a tinta que traceja a possibilidade, a sensação de ter algo importante, ou ao menos útil em mãos. A caça por figuras em livros, com a finalidade de abreviar a leitura e forjar um entendimento sobre a obra, evoluiu para a sede de infográficos na mídia (impressa ou eletrônica). Cabeças ávidas por informações com o mais intenso índice de mastigação. Escolhas pré-moldadas embaladas de liberdade, essa dádiva às vezes descartada no primeiro acesso.

A finalidade de simplificar informações e contextos complexos para o público tornou os infográficos atrativas ferramentas de discurso. Facilitam o entendimento e cativam o leitor; alguns até possibilitam certa interatividade. Há alguns que são essenciais para fixar o conteúdo ao espectador e instigar o pensamento crítico. Entretanto, o uso intenso desse artifício estabelece uma leva de leitores atrofiados, presos a interpretações rápidas; percepção rasa a partir de ilustrações que resumem e simplificam temas que, às vezes, para uma compreensão adequada, exigem horas de reflexão. Os traços carregam relevância que é amparada pelo texto. Esses traços não são o texto completo (ao contrário do que alguns cartunistas conseguem fazer ao representar o relevante em uma charge). Eles são um componente.

A rotina de trabalho nos impulsiona a terceirizar alguns aspectos e atividades da vida social em prol de manter o fluxo da modernidade. Alguma coisa nos é praticamente inevitável. Entretanto, pensar não é algo de que devemos abrir mão. Provocar o diálogo das versões dos fatos e analisar as informações disponíveis é premissa de uma interpretação inicial. Seja diante da urna, entre amigos, dentro de uniformes, diante das páginas ou entre lençóis, o pensamento não pode sucumbir diante de facilidades; o caráter não deve ficar em frangalhos na Era do Instante. Nem sempre a boca precisa ser aberta. Nesses casos os olhos devem estar abertos.

Na continuidade do dia, o desenho de um garoto de quase nove anos evoca a compreensão, aqui do lado. Apesar dos pesares, vale a pena!

Publicado também no:  Observatório da Imprensa e no Caderno DA, do jornal Diário do Aço

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mediação Maturada?


Maturada pela história, a mediação instaura o processo de eterno retorno. Retorno à inocência, à infância, Era de sonhos, mimos e desatinos, anseios, equívocos, empolgação, especulação e reclamações ao ermo. Retorno à compreensão, quando as mensagens faziam sentido num baile doentio com a confusão. As narrativas instigavam e explicavam, ao invés de frustrarem e confundirem.

A representatividade, embora pareça ter sido um conceito destruído pelo imediatismo ou efervescência tecnológica, está soterrada por nossa recorrente incapacidade de assimilação entre desejo e necessidade. Os narradores contemporâneos parecem atordoados no campo de batalha da informação. Não importa apenas de onde vem o estardalhaço, mas como ele afeta a percepção de realidade em tempos em que a justiça é lenda, a violência sai das telas de cinema, encharcam noticiários, e os bons exemplos de cidadania são sinais de esperança, o fôlego cotidiano.

O panorama apresentado na última edição da Revista MSG - revista de Comunicação e Cultura (editada pela ABERJE) apresenta uma crise na mediação a partir da ausência de uma identidade coletiva. Isolados pela soberba do controlar o processo de produção (e não a informação); unidos pela confusão de compreender e situar-se na sociedade: assim flui o indivíduo. Aparentemente, o princípio de igualdade é suprimido pelo da hierarquia restritiva e não qualificada. O que vemos é uma verdadeira Lei das Porteiras (abertas): O primeiro que passar abre e o último nunca fecha, pois ele inexiste.

Mas o que a Imprensa, com suas estratégias de mediação, pode fazer? E o que o cidadão precisa? Assimilar a presença do contraponto nas relações sociais e nas características humanas. Uma vez que o investimento correto em educação não surge, os narradores precisam coser e cozer argumentos para contribuir com mais afinco para a formação de público com senso crítico não apenas apurado, mas exercitado. De forma a contribuir para que o indivíduo concilie os fatos com as possíveis consequências. Talvez assim as escolhas sejam menos destrutivas.

A lucidez de Carlos Castilho* (em seu último artigo publicado no OI) chama a atenção para o momento de fragilidade dos veículos de comunicação e a necessidade de aplicar estratégias que possibilitem não apenas dar fôlego, mas garantir à imprensa a rentabilidade e condições de trabalho adequadas. O processo de mediação conclama os narradores a agir. O amadurecimento passa pelo renovo.

Publicado também no Observatório da Imprensa
http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed706_mediacao_maturada
www.passocomunicacao.blogspot.com

terça-feira, 17 de julho de 2012

Produção de sentido x Ideologia (pelo consumo)


Interação. A expertise do jornalista em verter a multiplicidade em texto é fundamental para manter o fôlego dos veículos de comunicação.

Além de apresentar um projeto gráfico moderno e cativante (nas últimas semanas o jornal Hoje em Dia – MG – mudou o formato em busca de consolidar leitores e conquistar público), jornais e jornalistas precisam investir na qualidade da apuração. Ainda mais agora com a lei de livre acesso à informação pública. O dilema entre acesso e interpretação instaura um desafio aos repórteres e público.

A resignificação a partir das transformações culturais estabelece um novo padrão de narrativa. A vulnerabilidade da mídia, quando exposta à opinião pública, diminui poder de persuasão da imprensa em manipular as interpretações da massa. No entanto, torna-se inevitável manter a transparência para assim buscar manter credibilidade perante a sociedade como fonte oficial dos fatos. Para isso, não pode ignorar o processo colaborativo da atual narrativa midiática. A tecnologia viabilizou a formalização do cochicho.

A participação em congressos e eventos promovidos pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais (MG), permite uma percepção preocupante. A profissão se mostra esvaziada em prol do interesse de apenas encher o bolso e mobiliar a vida de descartáveis ideologias. Com pesar, observa-se as brigas por questões irrelevantes, o afastamento da reflexão do fazer comunicação. Cansada, a profissão tropeça (do regional ao nacional) no desgaste. Cursos vazios, redações sucateadas, textos pobres, confusão. Poucos resistem, poucos investem. Trata-se de um perfil alarmante, no qual toda a sociedade está inserida.

Queremos o mérito da transparência, mas não ser transparente. Os princípios éticos têm sido manipulados conforme a conveniência. Enquanto focarmos a satisfação como resultado de lucro financeiro crescente, isso não mudará, mas irá intensificar o desenvolvimento atrofiado da sociedade.

O descaso impera, a incoerência reverbera. Esvaziamos garrafas e estouramos estatísticas. Igrejas, escolas, residências, empresas e imprensa. Caminhamos para uma apocalíptica estagnação social. A cidadania aos poucos é usurpada, embora alguns lampejos de esperança despontem em publicações exemplares, jornalistas de verdade e pessoas com iniciativas dignas de um futuro melhor.

Assim.. passocomunicacao.blogspot.com

Publicado também no site Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed701_producao_de_sentido_vs_ideologia

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

futuros textos

Antes de partir para os textos mais recentes (dentre os quais estão os publicados no DA Presente e no Observatório da Imprensa. Segue mais um... e assim esta saudade está morta...


quinta-feira, 12 de julho de 2012

textos antigos

Quando releio esse, relembro a intensidade de Brissac e sua inquietação com tudo o que se faz urbano e humano.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Velha ria

Ainda no embalo de textos antigos do Oficina (Unileste - 2001)... alguns eram feitos em parceria...


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Velharia...

Dentre tantos textos produzidos junto da equipe do Oficina (Unileste - 2001), alguns gosto de reler.... separei alguns...


terça-feira, 26 de junho de 2012

Transparência opaca liberdade



Em seu modus operandi, a mídia surpreende como uma pastilha efervescente em um copo com água. Rumores sobre sobreposição de narradores e técnicas narrativas, obsolência de plataformas de comunicação e o surgimento de uma nova cultura de consumo. Tudo mais e do mesmo.

A recém lançada, e na imprensa divulgada, obra de Eli Pariser (O Filtro invisível: o que a internet está escondendo de você) atenta para uma sutil censura aos olhos da liberdade. Na mídia convencional, o filtro já existe constituído por visões de pauteiros profissionais e cifras mantenedoras. Na internet, o filtro é mecânico/ matemático, pautado por estratégias de estímulo ao consumo direto. Contra o ato passivo de ignorar manchetes surge a demanda por uma curiosidade e disposição para navegar na rede e confrontar narrativas. “Na bolha dos filtros, a situação é diferente. Nem chegamos a enxergar as coisas que não nos interessam” alerta Pariser. É preciso um novo leitor diante do colapso conceitual da dinâmica Tempo x necessidade + Capacidade Crítica. Apenas compreender que a vigente liberdade de expressão e transparência apresenta-se por uma superfície conceitual turva é que o indivíduo conseguirá vislumbrar uma direção sóbria para suas decisões como cidadão.

Além disso, é importante considerar a rentabilidade dos veículos. Como garantir investimento financeiro em mídia digital e como manter tantos títulos impressos; ainda mais agora com a crescente segmentação da mídia impressa? Consumidores são educados a mudar o perfil de consumo e a pagar pelo conteúdo digital. Todavia, todo processo de formação de público é moroso e com falhas.

Nesse ínterim, o processo de produção de conteúdo é permanente. Análises do pesquisador David Abrahamson apontam brechas entre a estrutura e continuidade das mídias digitais e das impressas. Perante o público, o jornalismo impresso se manterá como referência; a segmentação editorial deve garantir a profundidade das coberturas sem tornar o público uma célula alienada e isolada do corpo social. Ou seja, mesmo ao se especializar em um tema, o veículo deve relacionar o conteúdo com a multiplicidade social e contextualizar o indivíduo entremeio ao turbilhão de informações e demanda por decisões. Para vivenciar esse desafio, a tecnologia é paradoxalmente um aliado do jornalismo, pois instiga o profissional à melhoria e não à cômoda e boêmica posição soberana na sociedade. Embora muitos estejam aos tropeços inventando moda.

Enquanto as revistas mergulham na segmentação e distribuição otimizada, os impressos enxugam redações, atualizam projetos gráficos (Em Minas Gerais, o último foi o Hoje em Dia, que copiou formato do O Tempo e buscou leveza tipográfica e mais disponibilização de conteúdo) e se relacionam cada vez mais com o meio digital como plataforma complementar à impressa, vinculada. O sucesso não pode ser mensurado de imediato. A reação inicial do consumidor amadurece junto a persistência do veículo e a disponibilidade de informações.

Nesse momento, iniciamos o ciclo de intensificação das pautas políticas, com os óbvios candidatos corruptos panfletando uma imagem turva de confiança. O clichê nos é fatal. Há pão e há circo. A zona boêmia é então transferida para as prefeituras e câmaras, e o cidadão exala o ópio da indignação, topless, cartazes e votos equivocados nas urnas.

O Processo de comunicação (emissor – mensagem – receptor) se renova sobre o mesmo mito: padrões estéticos de produção e de consumo. O jornalismo precisa se posicionar como um circuito aberto. Deve induzir reflexão e às vezes conduzir, mas não entregar pronto, pois é falho ao se enxergar como premissa da opinião pública e detentor da versão oficial dos fatos. Fatos tais que são cada vez menos exatos, em virtude da avalanche de interpretações que agora podem ser postadas e transportadas por diversas mídias; em casa, nos bolsos, ruas, painéis, fachadas, escritórios e até mesmo naquela antiga conversa de esquina, beira da calçada ou mesa de bar, ao gosto do bom gosto.

A liberdade social é manifestada então na mídia sob uma película opaca, chamada transparência, fabricada na cabeça de Assessores de Comunicação, Redatores desavisados, e também pela população da esperteza e repetição. A viabilidade de qualquer mídia está em sua representatividade e relevância. Para encontrar o que vale a pena consumir, o leitor deve driblar os filtros programados e confrontar narrativas, regurgitar informação e transformar o que absorveu em algo produtivo para o que vem depois.

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

bom dia

A manhã desperta minha face ao sol, o vento percorre minha pele definindo caminhos de refrigério, de excitação e paz. Pego uma flor e penso em você; guardo-a no aconchego do peito. Suas pétalas suaves sobre mim; poder sentir com intensidade a sutileza que você carrega naturalmente. Seu bom dia é transformador, seja qual dia for!


terça-feira, 8 de maio de 2012

limão n' água



Multiplicidade; somos invariavelmente os mesmos? Continuo a frequentar as bancas, insisto em atirar limões na água e observar os seus efeitos. Entre os ombros dos mais afoitos, as pautas e ruas revelam tanto desejo que as horas são poucas e os dias cada vez mais necessários. Um país com significativa preocupação com temas ambientais e controversa tratativa de tais assuntos.

A fraca presença da imprensa no último Fórum Mundial de Água (em Marselha) e a repercussão do assunto na mídia despertou preocupação. Os debates provocados no VII Fórum Água em Pauta”, realizado pela Revista Imprensa e pela Bolsa de Responsabilidade Social (BRS), em Fortaleza (CE), alfineta-nos ainda mais. Como os jornais de grande circulação e os jornais de circulação regional tratam do tema? Como proporcionam a reflexão e mudança de hábito do cidadão? Aos que não fazem, é tempo de despertar; aos que esboçam uma narrativa, é preciso mais do que panfletagem.

Inevitável então é condicionar o público para a faceta econômica de comportamentos sociais. Combater a violência, a droga, o crime ambiental e a pobreza e falta de saúde tratando todos como indicadores econômicos dos mais importantes (como variáveis do mercado econômico); mostrar e amplificar como tudo isso nos é muito caro. O avanço tecnológico e as mudanças no periodismo das mídias tornaram equivocadamente o “passar os olhos” sinônimo de leitura. Precisamos fazer como disse Dines à revista Negócios da Comunicação: “Eu subordino a tecnologia ao texto, e não o contrário”. As universidades, entidades e institutos de pesquisas despejam diariamente estatísticas que nutrem pautas e a desinformação da massa.

Considerando a importância do lucro para as atividades sociais contemporâneas, a Economia Verde a ser debatida na Rio +20 propõe tratar a natureza como um capital. Desse modo, estratégias de lucratividade a partir de investimento em preservação serão apresentadas como solução. O lucro saudável, sem exacerbado ganho financeiro, mas também sem prejuízo. O ganho humano é maior.

Enquanto a preservação do meio ambiente depender do emocional coletivo, nada de efetivo acontecerá. O indivíduo se move pelo bolso ou pela barriga que dói. A cobertura da imprensa deve ampliar os interesses envolvidos em questões como a do Código Florestal e não ficar com uma placa de protestos em mãos.

O factual precisa ser utilizado como instrumento de reflexão e não para induzir uma opinião (como é feito desde os primórdios), mas proporcionar o diálogo. Talvez essa seja a alternativa à consciência social vigente: Proporcionar mudança pelo debate (e não combate) da multiplicidade de ideias, reforçando que alguém terá de ceder, é inevitável.

A Presidenta Dilma tem até dia 25/5 para se manifestar sobre o Código Florestal. Enquanto isso, a população continua como uma massa em bloco de carnaval atrás do trio elétrico: presa no automatismo de pensar e agir. A rima pobre é válida: Tudo muito polarizado em mundo globalizado.

sinto você ranger abaixo de mim,
não me canso de tocar-te;
mantenha-me de pé enquanto persistir o sonho
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

tipografia orgânica


Acordo e revejo  Life in a Day (o longa, projeto de retalhos do you tube); a encenação do espontâneo. O desafio de montar o enredo e a facilidade de obter cenas repetidas e ângulos comuns, pois somos repetitivos e iguais em essência (criativa?). Excesso. A tela passa por vaidade, prazeres, ridicularidades, simplicidade e irreverência. Tudo ao mesmo tempo, por toda a parte. Remendos de felicidade X verdade. Nossas particularidades mostram-se sutilmente especiais. Especiais por serem nossas, únicas em si, e não por serem mais ou menos relevantes na esfera social. Mais do que a essência do detalhe; o lugar que ele ocupa no tempo e espaço.

O filme constrói uma mensagem que comunica a humanidade a partir dos fragmentos. A comunicação espontânea, remontada. As interpretações à flor da pele.

Transpor a imperceptível lâmina d'água da realidade e misturar-se ao outro. a justaposição de Eiseinstein e a liberdade de Bazin. O epicentro da vanguarda em algo que se revela não como novo, mas como alternativa ao fluxo da modernidade. A reflexão sobre o que é o dia, a vida e um no outro.

Essa tua ruminança não é genialidade. É uma coceira do ego, da vontade de dominar. A alternativa então é ser cafona e sumir na massa, para que você me conte nua; me continua na curva da cintura desse nosso devaneio. Quando a palavra silêncio preenche toda a minha boca você surge. Contempla sentada ao meu lado. Ah, a tipografia orgânica desse seu olhar;

Em tempo, observar um grande artista embrenhar-se pelos números em prol de alternativa para sustento e desenvolvimento só anima quando percebo que a desesperança urbana será golpeada pelos olhares do meu amigo artesão da vida, que modelará os números em um cálculo que dobrará o concreto de nossos corações e transformará os espaços em ideias habitáveis. Que Deus mantenha a visão.

Outros filmes se repetem diante dos meus olhos, Diário de um jornalista bêbado e os Amores da casa de tolerância. A realidade em estado cru, a fantasia nua de narrar histórias marcantes. O cinema ainda é alívio, mesmo quando nos sufoca.

Hoje permito-me estar absorto na névoa que se esvai e revela a silhueta do infante sorridente a correr sob os raios de sol da manhã. O que ela [névoa] revela fascina-me todos os dias, todavia, a maneira como ela se dissipa intriga-me. Ela vai sem nada levar. Eu fico nu orvalho, admirando o novo dia do qual faço parte.

eu passo!

passocomunicacao.blogspot.com

terça-feira, 17 de abril de 2012

Valor às marcas


O desejo de ser referência para a opinião pública está mais atrelado a uma busca por lucro e controle de mercado do que prestação de serviço à vida. Diante das mudanças bruscas das últimas décadas, o poder e valor das marcas já não pode ser trabalhado como um anúncio, uma placa, um nome gritado aos quatro cantos do esférico mundo.

A regionalização das narrativas, em linguagens e temas tem sido a estratégia padrão para integrar os consumidores e fidelizar o novo cidadão digital. O modelo de construção das marcas ultrapassa os espaços publicitários, e alastra-se pelo espaço editorial, pelo espaço físico das cidades e pela manifestação cultural. É necessário conhecer a natureza do resultado a que se propõe obter. O valor a ser construído depende dos parâmetros que constituem a cultura da organização.

Seja a partir das sucursais (muitas em extinção); seja os grandes meios de comunicação com uma gestão integrada de afiliados (Globo com 29 grupos de comunicação e 122 emissoras – sendo 117 afiliadas); seja nas empresas com um corporativismo velado sob a tutela dos conceitos-produtos: Responsabilidade social, Qualidade de Vida e Sustentabilidade. Todas as frentes de comunicação anseiam tocar o público, controlá-lo, saciar as vontades que os próprios meios criam. Mas como se posicionar diante dessa massa?

Os gestores, com raiz no modelo antigo de administração, são resistentes a assumirem a transparência como virtude. Eles a consideram um risco, uma ameaça à saúde do negócio. Dessa forma, cerceiam a liberdade dos profissionais de comunicação (dentro ou fora das redações) como um indivíduo pensante. São poucas as empresas e áreas de comunicação que sustentam uma postura transparente e sóbria na construção de discursos, práticas e relacionamentos. A marca (seja de uma indústria ou de um veículo de comunicação) deve ir além do símbolo, precisa representar um valor, um caráter perceptível nas práticas.

A integração de serviços e a livre escolha são estandartes do mundo contemporâneo. O indivíduo precisa sentir liberdade para consumir informação e o acesso deve ser resultado de uma fórmula cruel, onde a instantaneidade deve estar disponível em multiplataformas a um custo baixo [ o que muitas vezes desconsidera o valor de produção e do produto].

TV, jornal, rádio, tudo na palma da mão. O smartphone dita o ritmo de vida moderno. O rádio foi então revitalizado pelo twitter, os jornais pelo facebook e a TV pelos portais de convergência de conteúdo. A maneira como a Rádio CBN e a Itatiaia utilizam o twitter para alinhar e expandir a programação, provocar interatividade e prestação de serviços tem dado fôlego ao fazer jornalismo. O mesmo acontece com as fanpages dos jornais. As notícias provocam diálogo direto com os leitores e aponta caminhos possíveis para aprofundar nos temas veiculados. Muitos têm aprendido a trabalhar tendo a interferência do público como instrumento do processo narrativo.

O turbilhão do padrão de absorção das novas gerações é um dos desafios do atual modelo de consolidação de marcas por meio de ações de comunicação. A cultura de timeline impera. F5 é o piercing na língua da juventude. Engajar todos na cadeia de produção e absorção de conteúdo é algo inevitável.

Engajar o empregado/consumidor é dar poder a ele. Isso é um paradoxo da gestão atrofiada que não percebe os benefícios do equilíbrio entre autonomia e arbitrariedade. Para que as organizações, midiáticas ou não, obtenham representatividade perante o público é preciso trabalhar à sombra da confiança e não hesitar para mantê-la intacta. A ruptura da confiança reinicia todo o processo de sedução do outro, trincando as marcas. Enfim, o processo de comunicação está cada vez mais vulnerável, pois embora tenha suas premissas básicas (tal qual leis da física) sua instabilidade despertou como um vulcão acordado. No desconforto procura-se por referência. É fundamental refletirmos a respeito de qual valor há nas marcas que espalhamos ao vento, para não sermos fustigados pelo que sair do vulcão que criamos.

Publicado também o Observatório da Imprensa  http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed690_o_valor_das_marcas

terça-feira, 27 de março de 2012

Pautas Doces



Basta passar os olhos na seção Ano 1 Nº 1 da Revista Imprensa para perceber o quanto são criados novos veículos de comunicação; fenômeno interessante, já que as pessoas falam tanto no colapso dos impressos e maior utilização dos eletrônicos. Muitos desses veículos raramente ultrapassa a marca dos cinco anos de circulação. Porém, existem aqueles que conseguem amadurecer a linha editorial e se manter de forma saudável no cruel mercado editorial. São revistas e jornais que se desdobram para conseguir, sem uma grande editora, o fôlego financeiro e uma circulação satisfatória.

Em relação à representatividade das pautas, alguns veículos especializados acabam por contribuir na construção das edições da grande mídia; seja pelo assunto, linguagem ou abordagem dos fatos. Diante da iminente Rio +20, podemos observar que o mecanismo repetitivo e raso dos grandes veículos emerge. Os problemas, as limitações e as\soluções são tratadas apenas durante o calor da conferência (período próximo, durante e o imediato depois). Nesses períodos, a população é soterrada de debates e informações que pouco esclarecem. Todavia, há um consenso velado que tratar desses assuntos no cotidiano fica reservado às publicações especializadas de circulação limitada. Bons exemplos podem sem conferidos nas discussões levantadas pela Revista Ecológico (MG), Revista Imprensa e outros títulos.

As pautas de Vida Simples (revista lançada em 2002, filha da Editora Abril) infelizmente são tratadas pela grande mídia como jornalismo de entretenimento, coisa de segmento. Portanto, não se vê nos diários uma abordagem satisfatória e não propagandista das ações em prol de um mundo mais habitável, mais ameno ante tanta desgraça. A imprensa, em sua maioria, teima em reconstruir casas na areia, em um exercício só para ver o mar.

A consciência do novo cidadão é também formada pela mídia. É preciso equilibrar a peneira para que os fatos de desgraça não sejam maiores do que as iniciativas de esperança. A avalanche de informações pode moldar o imaginário do indivíduo em um processo de formar Orange Clockwork e seus dissidentes.

O atual modelo de comunicação de massa tem formado o cidadão apático e estressado ou apenas tem sido o espelho da realidade? Protestar vai além de subir em monumentos ou mostrar os peitos. Trabalhar a consciência é um desafio. Alterar padrões de comportamento implica estabelecer outros. De onde virão os parâmetros? Da mídia que se abstém de tratar no cotidiano temas como meio ambiente e responsabilidade social?

A cidade orgânica cresce. A verticalização é proporcional ao aumento da frota. A estrutura de esgoto, trânsito, fornecimento de água e energia não consegue acompanhar o referido crescimento. As pessoas precisam determinar os limites da própria satisfação e o nível de sociabilidade que é capaz de suportar. As pessoas não cedem; derrubam argumentos sustentáveis por práticas imediatas de conforto e satisfação. Alguém tem que ceder, mas quem? Todos em algum momento, em determinada intensidade. Enfim, entre a imprensa falar mais ou falar melhor, nos aproximamos de mais uma conferência (Rio +20) para debater a falência dos recursos perante nossa cadeia de consumo e de argumentos. Determinar políticas com resultados mais efetivos é um desafio; mas diante desse cenário, qual é a face da opinião pública? Esta entidade que é a maior interessada nos efeitos das decisões tomadas pelos chefes de estado e iniciativa privada. É possível traçar o perfil social a partir das páginas dos jornais?

Publicado também no Observatório da Imprensa
http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed687_pautas_doces

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sábado, 3 de março de 2012

terminologia da prática



A comunicação (corporativa ou não) insistentemente está atrelada a conceitos que se tornaram palavra de ordem: engajamento, alinhamento, ações coordenadas e integradas. Entretanto, como os conceitos podem ser verificados nas ações postas no dia a dia?

Dentre a papelaria e as ideologias que não cabem nos bits, os comunicadores com síndrome de Pink e Cérebro despejam todos os dias as estrategias para pontuar o que é, ou não, interessante no cotidiano, e pintar o antigo de vanguarda; disparar interpretações alternativas para conceitos e fatos. O público sucumbe sempre, mesmo quando alega não o fazer. Trata-se de um automatismo sutil. O resultado está nos padrões de mobilização popular e de consumo. Cada vez mais nas mãos do que é eletrônico, vivemos com o pânico de ouvir a recorrente frase "o sistema caiu". Engraçado mas diante da queda do sistema da TAM (no dia 2/3) não vi nenhuma matéria dos grandes (ES EM FSP e etc) com um foco mais abrangente ( que vá além do jargão "quero ver como vai ser na copa"). Essa frase ("o sistema caiu") significa atraso, impotência, perdas e danos. No entanto, diante do colapso das ferramentas criadas para tornar o dia a dia mais ágil, constatamos a necessidade de nos reinventarmos; encontrar soluções para educar e manter o fluxo social.

Quem criará as soluções? Quem as divulgará? As cifras controlam as decisões sobre o que é ou não bom para a sociedade. A revolução industrial já não cabe nos livros de história, ela extrapola o que se pode controlar. Indústria da seca, indústria da miséria, indústria das emendas parlamentares, indústria dos votos comprados, indústria do consumo, das rodovias sem reforma, da violência, do sexo, das drogas, do futebol e da et cétera.

Do outro lado do balcão, os jornais têm ganhado atualmente muitos leitores em função de um kit básico da mídia: boas narrativas, distribuição otimizada, interatividade e preço de capa, além da grande oferta de tragédias (humanas e ambientais). A disponibilização em mídia eletrônica tem contribuído para manter leitores em uma nova plataforma de acesso a conteúdo, e também para fidelizar alguns olhos que passam pelas bancas em busca de identidade. Sustentar-se é preciso, agora e amanhã, mas do que nunca; novamente as cifras.

Assessores ou lobistas? Afora a discussão defendido há anos pela Aberje, e a luta pela regulamentação das profissões, é preciso refletir além de terminologias. Responsabilidade social é algo incrustado à filosofia de desenvolvimento. O modelo truculento e imediatista de progresso precisa ser substituído por ações colaborativas e posicionamento transparente ao agregar valor ao negócio (veículos de comunicação e empresas) sem ferir ainda mais a sociedade. Como se portam os assessores e lobistas diante de temas de utilidade pública? E os repórteres?

Acredito ser necessário Conhecer para crescer; Não basta criar estratégias de escritório, por trás das mesas e em frente a aparelhos ruidosos de ar condicionado. Os comunicadores precisam Personalizar o reconhecimento. Falar da massa considerando o grau de individualidade existente nela. Mobilizar pela sensibilização? Após conhecer como o público cria significado e utiliza a linguagem, interagir deixará de ser uma ferramenta de controle velada e passará a representar um processo de comunicação menos corrosivo.

As interrogações são as sementes de uma boa pauta e as reticências a garantia da continuidade. Façamos!

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o sabor da linguagem


Enquanto no escurinho há teatro e cinema, e à mesa (e aos olhos) repousam orgias gastronômicas, sem reservas, respira-se entremeio aos fluxos urbanos. Dentre As mais fortes, o bufão. Não o filho do demônio, mas o riso grotesco, as entranhas do homem expostas numa risada. O espelho que anda diante de nossas palavras reflete nossos pensamentos. Encenar a espontaneidade é respirar. O processo de formação de público, estimulado pelas campanhas de popularização do teatro e da dança colherão frutos a longo prazo. Todavia, a iniciativa deveria contaminar também as salas de cinemas, com estratégia de exibição de filmes "não comerciais" seja ficção, documentário, curta, média ou longa metragem.

Frustração é consequência de visão limitada [embebida em paixão], entendimento raso. Diante dos desafios, o talento traz a confiança, mas apenas a sabedoria a mantém. Apesar de tudo o que cansa no humano, os poros escondem mais do que pelos; o suspiro e as palavras muito mais do que significados.

A felicidade está em encontrar a plenitude da vida no gerúndio, no significante. Chocolates e olhares. A amargura o distingue, realça a ternura de seu sabor, delineia o espanto, o medo de se envolver; a vontade e a energia. Tudo em uma mordida silenciosa, seguida de uma intensa e vagarosa dança da língua. Amelie ou Angelique. Poulain ou Delange.

O som de degustar um chocolate. Caminhar na chuva emotivamente anônimo meia noite em paris; texas. Inocente, ingênuo e intenso, o amor se faz em um chocolate e impregna-nos ao se desfazer na língua.


Entre o que nos faz humanos e o que nos faz palavras, o picadeiro pós-moderno: a cidade
O circo é o palhaço. "O gato bebe leite, o rato come queijo. E você?"


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Conexão de egos



Manhattan connection, apresentado pela Globo News, revela um Brasil anestesiado. Um país de fim de expediente que sentado à mesa reflete sobre os problemas do mundo e do país com bom humor descompromissado, palavras ácidas e alguns argumentos pertinentes. Entre episódios bem orquestrados pelos jornalistas, há sempre o desagradável duelo de egos que subestima assuntos e prolonga comentários sobre temas menos relevantes.

A conexão proposta nem sempre consegue estabelecer uma identidade entre os comentaristas e os locais de onde comentam. Leituras uniformes de um recorte do cotidiano ( a partir de leituras de mídias) com pequenas divergências.

Há algumas semanas, a entrevista com Fernando Henrique Cardoso derrapava justamente quando deixava de ser entrevista, conversa, para ser uma troca de manifestação de egos. Na última semana, apresentou uma mídia cansada, sem identidade, perdida em comentários a conta gotas mais pautados pelo ego do que por uma análise de um profissional experiente em imprensa (como apresentam ser os apresentadores – e são, considerando o currículo de cada um). Afora a conexão de egos, é de certa forma satisfatório percorrer os comentários, pois jogam assuntos no ventilador e narram o que observam acontecer, em ritmo frenético, deixando a sensação de que falta algo.

Domínio próprio é estratégia para o bom narrador. O ego de um jornalista não deve conduzir sua narrativa ou análise do posicionamento midiático. A humildade, bom senso e estilo devem contribuir para a convergência de ideias e a conexão de olhares alhures.


Publicado também no Observatório da Imprensa  http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed682_conexao_de_egos
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Que perfil encanta aos olhos?

“Em geral, quando escrevemos para uma publicação com a qual concordamos, pecamos por comissão, mas quando escrevemos para uma publicação de caráter contrário, pecamos por omissão.” Eric A Blair

A imprensa muitas vezes foge do desconforto, seja do repórter ou da fonte, mas o processo de informação exige desconforto para revelar dados além dos institucionalizados e das versões treinadas diante de espelhos. O repórter não é taquígrafo, como já disse Malin; todavia, às vezes o jornalista parece um cardíaco com medo da próxima emoção: a do fato revelado. Desta feita, sobra-nos pautas exageradas como a cobertura do caso Eloá, que sem muita novidade se repete noticiário por noticiário.

Até tu Minas
O Estado de Minas do dia 15/2 apresentou mais uma de suas ousadias de estrutura gráfica para tratar do cotidiano de forma fascinante, mas errou a mão. Com a bajulação ao jogador Neymar, a imprensa constrói um crack que não vicia, mas cansa. A capa do jornal trazia uma arte estilizada como um cartaz de filme (O Artista) e no caderno de esporte não economiza em mostrar o menino da vila como O Astro – artista da bola. É um produto do futebol moderno onde o talento cria mitos instantâneos e enaltece um potencial antes dele consolidar resultados (Ao contrário da trajetória de Messi). A mídia precisa ser mais cautelosa ao traçar perfil de artistas, sua supervalorização tem sido corresponsável pelo surgimento de grossas biografias de celebridades com menos de 30 anos de idade.

Entretanto, alguns perfis resgatam a veia perceptiva do narrador. Na edição do dia 16/2, o mesmo Estado de Minas apresentou o perfil de um pasteleiro(olha o link) que trabalha próximo ao Hospital da Polícia Militar em Belo Horizonte. Uma história de superação, simplicidade e determinação, relatada de forma objetiva pelo repórter. Cidadania.

Se o futebol representa o Brasil volátil, da incoerência, o perfil do seu Zé apresenta o Brasil da persistência, que não se faz sob holofotes. A imprensa deveria instigar mais narrativas assim. Estampar um perfil que contribua para reflexão humana e melhoria de caráter. Ler jornais deve ser mais do que apertar F5, deve trazer de volta o prazeroso desconforto de pensar.
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sábado, 11 de fevereiro de 2012

errata




Tostoi e Blair ébrios do conceito de felicidade e busca humana. O deflagrar da essência humana não está mais sobre o fôlego divino, mas no paradoxo entre seduzir, conquistar e destruir. Constata-se isso na política internacional, na concorrência no mercado regional, ou entre as alianças, namoros e programas de entretenimento.

Comportamentos selam o valor do indivíduo. A intrepidez, ganância e arrogância fazem do ser social cobiçado e temido. A sincera humildade e sensibilidade o torna resto entre os dentes. Há lei dos mais fortes.

Fidelidade em plenitude inexiste; até os mais profundos resquícios do que foi humano. A vaidade exortada é o significado da sociedade contemporânea. Todavia, às vezes é ela (vaidade) mecanismo de defesa, estratégia natural de sobrevivência pela sedução e reconhecimento, ocasionando benefícios para o outro ou para o grupo social: solidariedade.

Em um rápido olhar ao redor, o retrato: As referências, os grupos de relacionamento; as riquezas. Os sentimentos esmigalhados, a justiça esmagada, a misericórdia, a esperança. Açougue e suor, sob o sol o dia resvala as ilusões de homens sobre as fúteis mulheres limpas, sujas de papel moeda e controle de emoções. O álcool, nesse cenário, é a porta para o beco que desemboca em outra porta: para outras drogas. A degradação da vida aumenta sem medida. As páginas de jornais já não conseguem acompanhar e apenas resumem a violência sem fronteiras, credo ou classe. Todavia, há narradores que conseguem tornar o jornal uma bula para lidar com a realidade.

Confiante no elixir da humanidade, arrisco: Haverá errata.

Lampejos do que a mão não alcança, do que os lábios não podem tocar. A liberdade das interpretações determina a intensidade dos conflitos. Encontrar o próprio ritmo dentre os passos e ombros na rua. Encontrar o seu ritmo dentre as gotas de chuva. Saber cumprir sua função como átomo neste universo.

As lágrimas confundem-se com a chuva;
e o suor não saía daquele corpo cansado.

Essa palavra que não tiro do seu raciocínio
esse teu jeito de causar-me rima e suspiro

Não é o céu, muito menos seus olhos;
o brilho é a estática da ilusão;
a esperança nos invade e conduz-nos
a uma paz sem alma, sem corpos,
sem palavras.


Quantas voltas guardam o caminho de ida?

passocomunicacao.blogspot.com

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Rumor e prumos do olhar





Para o Jornalista, tudo o que é provável é verdade”, H. Balzac

Ninguém parece se ater às águas enquanto navega, por isso vêm a pique, pois no meio do caminho há sempre mais do que uma pedra. É fundamental que os narradores percebam de onde vem o barulho que determinam suas pautas. Na Bíblia, o efeito “solta Barrabás” mudou o rumo dos acontecimentos, atualmente, eventos Trending topics como o “Luiza Canadá” e “Grávida de Taubaté” mudaram a pauta da mídia nacional, as discussões sobre comunicação em massa e criaram um instantâneo clichê do humor.

Sofrimento e irreverência continuam como moedas sociais. Na mesa de discussão da agenda reflexiva, as memórias reais da sociedade são substituídas por ideologias de palavras e espasmos de uma puberdade tecnológica, onde a ponta dos dedos ordena ações às telas, mas as palavras à cabeça não provocam mudança nos comportamentos. Os veículos de comunicação ignoram o poder do buzz, mas são regidos por eles. Atualmente, o tosco telefone sem fio define o material reflexivo tanto do narrador quanto do espectador. A temporalidade do assunto e seu poder de assombramento, de retorno, são subestimados e substituídos pelo que está na moda. Quem define essa moda? Um grupo corporativo (como defende W. Bueno), as classes sociais, ou as gerações X, Y, Z?

Quando se diz que um escritor está na moda, sempre se quer dizer na prática que ele é admirado por pessoas com menos de trinta anos” Eric Arthur Blair.

Navio tomba no mar, prédios caem no Rio e Pinheiro já não simboliza natal, mas atrocidades de um governo reacionário e negligente, amparado por uma polícia cujo bom senso está na ponta dos dedos, comprimido entre gatilhos e cassetetes. A imprensa com canetas e eletrônicos mais uma vez registra o imediato mas não constrói a rede de interesse que cerca a permissividade dos governos, da estrutura de habitação (ocupação, viabilização e fornecimento de serviços básicos, expansão), da gestão da segurança pública, educação e saúde como pastas interligadas. Enquanto isso na mídia, o aniversário de uma Potra na Bahia continua a ser matéria.

A imprensa de modo geral se confunde no âmbito emocional ao cobrir tragédias. Esquece que todo dia tem tragédia, pinça as cinematográficas e “cria” personagens em cima de vítimas. Constrói heróis e transformam telejornais ou jornais em versões noticiosas das mensagens fonadas melosas de datas comemorativas. Gasta-se tempo demais em repetir informações (imagem e texto). O efeito disso vai além das edições nas bancas, ou dos telejornais; a interferência da imprensa chega às livrarias, afeta escritores e autores de livros; as prateleiras são entupidas de títulos ruins com alta venda.

Tragédia não é só para os gregos, mas Reforma é coisa de brasileiro; acostumados a fazer puxadinhos e gambiarras, quando na verdade, na maioria das vezes, tudo deveria ser posto ao chão. Reforma agrária, política, ortográfica, da imprensa, da habitação, dos transportes, da saúde, das religiões e dos colhões. Todavia, a inviabilidade do recomeço aponta a reforma como o mais viável; trata-se da coleta seletiva do comportamento humano. Não resolve, pois não atua no consumo e no início da cadeia produtiva, mas ajuda uma vez que provoca reflexão e ação imediata. Como se reforma um olhar?

Moderado e nítido, seu olhar girassol encontra o chão;
no renovar de mais um ciclo, sementes.
Salve o Guardador de Rebanhos, que na beira da estrada
é o paradoxo de nossa falência

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O gineceu e a desinformação do sustentável



No simples gesto de folhear a realidade percebemos que milhões ($) transitam diante e além de nossos olhos. Entre os interesses da massa e as necessidades e anseios individuais, os eletrocidadãos mobiles perambulam entre as novelas midiáticas da famigerada vida real.

A polêmica política de integração nacional familiar pernambucana de Bezerra; a proposta de aumento exorbitante (61%) dos salários dos vereadores de Belo Horizonte (MG); as desgraças do período pós-chuva a atingir 3 milhões de pessoas nos municípios mineiros e os 3 milhões atingidos pela seca no sul do país; o ENEM e os erros do sistema educacional (e o Prouni comemora que desde sua criação, em 2004, já concedeu quase um milhão de bolsas de estudos em cursos de graduação – e esse ano arrebentou em inscrições; mais de 1,2 milhão – Qualidade versus Acesso), tudo se renova do mesmo. Etanol, café e suco de laranja pelos ares.

A esperança está na sensação que alguns veículos conseguem provocar com suas matérias, ao apontar incoerências e soluções, e transmitir a ideia de que algo está sendo feito. Nem que esse algo seja apenas barulho.

Fato curioso não é a mídia estacionar as pautas nos trending topics, mas é a matéria da Folha de São Paulo Online no dia 12/1, em uma matéria sobre o MinistroBezerra, utilizar o jornal O Estado de São Paulo como fonte ao falar sobre os dados da ONG Contas Abertas. Costume cada vez mais presenta na mídia.

Mino Carta e Thomaz Souto Corrêa (na última edição da Revista Imprensa) declararam que a qualidade do jornalismo brasileiro tem caído continuamente.

A mídia impressa há tempos é usada como registro histórico de uma era. Uma versão equivocada, ou narrativa mal construída pode comprometer o registro e a interpretação das gerações futuras ao revisarem a história social. O que intriga atualmente, é que alguns veículos não consideram esse fato e tornam-se panfletos que sujam nossos dedos de tinta ou cansam nossos olhos à tela.

Um eficiente sistema de controle, a desinformação justifica dentre outras coisas a censura rebatizada de SOPA e PIPA, mesmo Obama alegando veto. Atualmente, conteúdo público e privado depende muito mais dos interesses do gestor ou autor, do que da natureza do produto. Quando têm o interesse de disseminar em massa algo novo, tratam como conteúdo público e gratuito; todavia, quando esse algo já está consolidado, querer ganhar dinheiro com o acesso, tornam o produto privado. O padrão de precificação de conteúdo do Itunes (pelo menos para música e apps) apresenta-se como alternativa, mas ainda muito ineficiente. A interação em web aponta a substituição do download pelo streaming.

A desinformação é uma arma estratégica. Ela enaltece e afunda partidos políticos, obras públicas, iniciativa privada, conceitos e ideologias; funda religiões, corrompe a relação do homem com Deus e contribui para o espetáculo da soberba e fúria contemporânea, onde a modernidade se faz arcaica e humanidade confunde-se com individualismo.

Cada vez mais distante do que deveria e precisaria se tornar, o homem se enobrece, alimentando-se de sonhos, silício, cidades e jardins resignados a vasos no quintal de concreto.

Se Almodóvar espirrasse:
Atrofiado, em estado vegetativo, o corpo social apaixonado olha nos olhos dela e clama por um fim. Linda, Ela sobe e coloca seu gineceu sobre a face dele, sufoca intensamente o corpo. Mas naquele orgástico fim, o engano: era apenas um novo começo.



"não vos canseis de fazer o bem."

2 Tessalonicenses 3:13

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

bulas e fórmulas





O sentimento e o raciocínio que o homem tem em relação aos outros e aos sistema deste mundo é o mesmo que utiliza para se relacionar com Deus, ou com o que concebe ser Deus. Sempre na política do merecimento e recompensa. Com o foco na restituição ou no reconhecimento e não em ser relacionar com Deus, mas no que Ele pode oferecer. O desejo vão do homem e sua vaidade extrapolam a vida social, a postura religiosa e o que o homem fala a respeito dos sentimentos. 


Existem fórmulas postas na sociedade, cadenciadas entre os perfis de comportamento. O indivíduo absorve algumas e quebra outras; fato catalisador de novas fórmulas. Curioso é a incoerência entre as fórmulas, quem as cria e para quê. A famigerada tentativa de controlar e julgar, inevitavelmente revela o processo dos indivíduos em determinar fórmulas para os outros. A matriz do pensamento do indivíduo estrutura rotinas de racionalidade e utopia cada vez mais humanas, e com certa possibilidade de controle.


La piel en que habito. O Desejo como estopim da desgraça. A sanidade posta à prova pela sucessão de fatos. A razão pode ser alterada por quem detiver a oportunidade e o controle. Junto à pele, o bisturi arranca a segurança, a identidade. Com a ferida, sangra para dentro do corpo amargura e a dor. Tal combinação aflorada revela a força da destruição, mas a pele já é outra. Na mesma pessoa, as mesmas lembranças, mas com a sucessão de fatos e experiências, uma nova identidade.


Alguns finais felizes não exalam felicidade. O paradoxo se sustenta no sabor de um chocolate amargo.


rascunho:
La peil en que habito
Complexo e reverberante
Vicente ansiava fuga e coisas novas (Durkein). Atencioso, a vestiu. Inocente fugiu.
Vera perdeu a identidade e a teve transformada física e psiquicamente
Estava pronta a ser o que os outros desejassem que fosse, desde que isso diminuísse a dor.
Roberto - A loucura e a mágoa estabeleceram sua sanidade
A Mãe tinha "a desgraça em suas entranhas". 

A morte foi a saída e libertação que todos buscavam. 
E finalmente Vicente se tornou apto à Cristina


Zeca x Roberto - o erro bíblico (Abraão Sarah e Agar)
O Erro Humano (com vassalo e com patrão)
Foram pólvora

A inconsequência de Gal, da traição ao suicídio foi o estopim para a insanidade de Roberto; o trauma de Norma, a transformação de Vicente e a morte.

"eras minha melhor metáfora
O clichê a contrariar as leis da física.
A curva da cintura dobra sobre mim"


Quais as fronteiras do teu olhar? 
Até onde agridem as ondas de tua voz; até quando reverberam tuas palavras e sufocam-me as interrogações que impulsionam meu pensamento?



gira meu sol


sábado, 21 de janeiro de 2012

crack sem chuteira





A mídia reluz o dentuço rubro-negro, de salário atrasado, a receber homenagens de Evo Morales (que estatizou duas refinarias da Petrobras há alguns anos) e suas aventuras. Fala das peripécias do crack do topete, dos punhos famosos do coliseu moderno (UFC) e de modo quase institucional cobre um outro crack, que tem modificado cada vez mais o retrato da sociedade.

As crianças sonham em ir para Disneylândia, mas após a puberdade fundam Cracolândias, a nova franquia globalizada. Além da cobertura sobre o que é feito em São Paulo, é importante considerar o rastro da desgraça por todo o país.

Na Bahia é lançado plano de reinserção social dos dependentes, no Nordeste, segundo levantamento do jornal Diário do Nordeste, o crack é a droga mais comum entre jovens e adolescentes. Minas Gerais demora a adotar o Plano Nacional contra o crack. Programa lançado há mais de um mês disponibiliza R$ 4 bi para os Estados. O jornal O Tempo, no final da última semana (20/1) apresentou a versão oficial do Governo mineiro que prefere focar no momento nas ações estaduais de combate a essa droga que destrói famílias e transforma a paisagem urbana. As soluções estão baseadas no tratamento do assunto como caso de saúde e segurança pública.

No interior do estado, jornais produzem matérias que abordam as implicações sociais e particulares do uso e comercialização da droga; mas esse tipo de cobertura é raro. Geralmente, a imprensa pesa as abordagens sobre a demonização das iniciativas públicas, deficiente gestão ou manifestações de tinta, churrascos e interrupção de trânsito pela liberação de drogas ou legalização dos pontos de uso. Isso até tombar um na esquina. Quando o repórter é fonte ou, na pior das hipóteses, a pauta.

Faltam coberturas que aprofundem mais toda a rede social problemática que tem a violência e a degradação do homem como consequências de hábitos legalizados. O que me faz lembar os comentários de Jabor em 2002 sobre o antigo episódio do ônibus 174 (São nossos filhos com o demônio, nossos dejetos que criamos...)

Em suma, prostituímos a moral por momentos de gozo. Circulamos por aí com nossos desejos e ilusões. Estabelecemos um processo de esclerose moral onde são gerados resíduos sociais que pontuam esquinas, páginas de jornais e não mais cabem nas superlotadas cadeias ou instituições de recuperação. Efetividade é a recorrente utopia e filantropia o ópio que nos faz dormir a noite e fechar os olhos ao passar pelas calçados de entulhos humanos.

Me lembro que maior é Deus, pequeno sou eu, e das palavras de Leminski porque não consigo fazer melhor:

Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relógio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?”



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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Antes ou depois das chuvas


O espectador é a ruína da plena beleza
ele rompe a espontaneidade
o suor da felicidade resvala por todo o ambiente
esta sua boca é uma ideia.

O teu gesto um poema.



O mundo não acabará em 2012, ele finda todo o dia e nem mais é preciso abrir as páginas dos jornais. Na incessante luta entre pautas leves e assuntos pesados na imprensa, abrir a janela e arriscar um olhar à paisagem tornou-se um desafio fascinante. Não, essa não é uma narrativa sobre a brilhante obra de Manchevski e as possibilidades de percepção criadas. Isso é outra coisa.

Com mérito, a cobertura intensa do período de chuvas exige dos jornalistas a costumeira inovação no olhar e precisão na construção das narrativas sempre diante de um tema cíclico. Todos os anos, além de apresentar a falha infraestrutura, as consequências evidentes da negligência e da água que desaba do céu, os veículos apontam soluções, distribuem versões e incentivam à solidariedade.

A Defesa Civil de Minas Gerais divulgou que 228 cidades no Estado foram afetadas pelas chuvas, atingindo mais de 3 milhões de pessoas, sendo 52.700 desalojadas e 4.000 desabrigadas. De acordo com o órgão, 166 municípios estão em estado de emergência em virtude das chuvas. A cobertura do Estado de Minas, O Tempo e Hoje em Dia tem procurado equilíbrio ao falar de recursos x estragos. Além de sinalizar o descaso governamental, os indícios de corrupção e a sucateada infraestrutura é preciso mostrar o compromisso de poucos, tanto nos governos, quanto na esfera popular.

Os jornais (mais os estaduais do que os regionais) dimensionaram até que bem os impactos na saúde (contaminação, doenças e mortes – o sistema está preparado?), alimentação (acesso e produção de alimentos, impactos no mercado do agronegócio), segurança e logística (quando e como retornar às residências), estradas (os buracos tapados com promessas) e etc. Dados do jornal Estado de Minas revelam que a União deixou de investir 58% dos recursos autorizados para obras de prevenção contra estragos provocados por enchentes. Em Minas Gerais, foram pagos apenas 47 do previsto.

Entretanto, falta ainda um questionamento sério a respeito do paradoxo entre planejamento e execução. Afora os blogs (que alastraram-se pelos sites dos veículos de imprensa como alternativa de posicionamento, narrativa e inquietação), é preciso estar presente nas matérias. Victor Hugo já disse uma vez que a imprensa “é o dedo indicador”, sinaliza, cutuca, gera movimento à cena. Parafraseando Balzac, assim como o homem sucumbe à mulher, a massa sucumbe à imprensa, mesmo ao ignorá-la. O modelo vigente de administração pública apresenta-se baseado em uma desarmônica dança entre interesse público, interesse da iniciativa privada e interesse particular.

Diante do imediatismo de se fechar o texto, maior deve ser a intensidade do olhar e incômodo do jornalista, pois ações efetivas para a melhoria da qualidade de vida, muitas vezes são consequência do ruído gerado por um texto. Reflexão e refração de Imagem (seja particular, pública ou organizacional) é o que determina as ações neste mundo que se acaba imerso no iminente recomeço.

O Haiti é aqui? As crises, atrocidades e conflitos estão globalizados; mas e as soluções?

"Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados." Millôr Fernandes

"O jornal é uma tenda na qual se vendem ao público as palavras da cor que se deseja." Honoré de Balzac


Artigo publicado também no Observatório da Imprensa
http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed677_antes_ou_depois_das_chuvas

www.passocomunicacao.blogspot.com



Sou a citação no meio da sua frase.
Sou o plágio no seu suor
a impossibilidade que esvai com seu cheiro
sou seus sentidos dominados por elas
a madrugada, a espera, a manhã


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

hiato



e você, pisava nos astros deformada;
perdida na certeza de suas interpretações;
parafraseava o vento
e tinha um cisco no olho
chamado realidade

[volto logo]
A industrialização do espírito humano, sua transformação em produto de prateleira (como diagnosticou Theodor Adorno sobre a sociedade capitalista), tem uma pausa quando as catástrofes levam municípios a decretarem emergência, o crack deixa de ser o bom jogador para ser a substância que destrói famílias e aumenta o índice de moradores de rua e as dificuldades já não mais podem ser jogadas debaixo do tapete, atrás de um filme, jogo ou programa de televisão. Neste momento, a imprensa mostra o despreparo em cobrir de forma específica e também abrangente determinados temas, espelhando assim a recorrente falta de infraestrutura do sistema público independentemente da ideologia vigente.
A exceção está em alguns veículos que, com habilidade, lidam com o espaço disponível nas páginas, os ruídos ideológicos da empresa, o potencial dos profissionais (imagem e texto) e as pautas de interesse público – o que deve estar no jornal porque as pessoas precisam ler o que elas querem ler. O jornalismo precisa formar, informar e dialogar com o público. O antigo conceito a respeito do reconhecimento e construção de identidade pela interação é fato que se renova. A era atual torna ainda mais evidente isso, com um novo indivíduo que consome e ajuda a construir as edições. Muitos são semelhantes a uma criança em carro desgovernado (possuem o olhar, têm ferramentas para registro audiovisual, produção de textos e disseminação de conteúdo; tudo na palma da mão, mas não possuem a técnica ou o bom senso e controle sobre o olhar e construir narrativas).
Mensagens criativas e imagens eficazes
O jornalismo econômico, público, literário ou científico acima de tudo deve manter-se jornalismo. As edições da madrugada, manhã, tarde e noite devem despertar e manter o interesse da massa e do indivíduo a respeito de assuntos básicos à manutenção da vida social e sua melhoria. Um problema está na superficialidade das matérias regionais e a generalização fria das matérias de agências de notícias. Entretanto, as páginas recebem inacessíveis F5 e as bancas estão ainda pelas esquinas. Há procura.
Dados divulgados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) mostram a relevância não apenas dos veículos do eixo São Paulo-Rio de Janeiro como fonte de informações na web, mas também os estaduais da Bahia, Pernambuco e Minas Gerais, dentre outros. Embora seja importante lembrar que as pesquisas do IVC analisam apenas os veículos filiados a ele.
A tiragem é importante, mas sem uma estratégia de distribuição torna-se uma pilha de antiguidades. Além de considerar a possibilidade do conteúdo em tablets e telefones e os antigos net e notebooks, é preciso se ater à qualidade do produto e seu alinhamento com a rentabilidade do veículo. “A gente não quer só notícia, a gente quer comida...”
A estratégia de regionalização antiga, com sucursais por todo o lado, hoje encontra colapsos em termos de custos. Em Minas Gerais, o Hoje em Dia, após várias modificações em sua estrutura, reduziu o número de colunistas regionais e também as sucursais. O Tempo, com boa tratativa de temas, versatilidade em alguns assuntos e interiorização de pautas, alinhada à distribuição, tem conseguido falar do estado e para o estado de um modo sóbrio. O Estado de Minas e sua grande estrutura, revela sua sobriedade em inovar, em títulos, matérias e na diagramação. Seja na edição de homenagem a Chico Buarque (primorosa, em novembro de 2011) ou nas recentes edições de cobertura das consequências das chuvas. Mensagens criativas, diretas e reflexivas, acompanhadas de imagens eficazes.
Distanciamento e envolvimento
Não precisa ser Tom Wolfe para fazer diferente, nem Van Dik para compreender como o ouvinte interpreta as narrativas; basta não fazer jornalismo superficial. O estranhamento para olhar e narrar o fato contempla distanciamento e envolvimento. O equilíbrio entremeio esse paradoxo resulta no texto que, após descartado, nem peixe embrulha mais.
“Toda fonte é uma moça bonita que foi amada por um deus, que disse não a um rio, que fugiu de um sátiro, nada é real, nada é apenas isso, tudo é transformação, todo traçado de constelação é o pedaço de um esboço de um drama terrestre, tudo vibra de tanto significar. [...] Fatos não se explicam com fatos, fatos se explicam com fábulas” (Paulo Leminski)

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